quarta-feira, 19 de novembro de 2014

VERDADEIRA HISTÓRIA SOBRE A ORIGEM DOS DEMÔNIOS. by CONEXÃO NEFILIN

Uma das passagens mais controversas da Bíblia é Gênesis 6. Mas creio que ela nos descortina um pouco mais o drama vivido por nossos primeiros pais. Vejamos o que ela diz:

“Como os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o Senhor: Não permanecerá o meu Espírito para sempre com o homem, pois este é mortal; os seus dias serão cento e vinte anos. Havia naqueles dias gigantes na terra, e também depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Estes foram valentes, os homens de renome que houve na Antiguidade”. Gênesis 6:1-4

Repare que tal evento se deu logo no início da saga humana, quando os homens começaram a se multiplicar. Portanto, não é algo que aconteceu muito depois da Queda. O Livro dos Jubileus diz que os Anjos Guardiões vieram nos dias de Jared, cerca de quinhentos anos depois da criação, com o objetivo de instruir aos homens.[1]Creio que o fato do homem ter optado pela Árvore do Conhecimento do bem e do mal, deu tal prerrogativa aos Anjos Guardiões.

Embora a morte já fosse uma realidade para os homens, Deus, por misericórdia, mantinha neles o Seu Espírito, razão pela qual eram tão longevos.[2] Algo aconteceu que fez com que Deus decidisse limitar a longevidade humana. O texto diz que “viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente” (v.5). Permitir que o homem fosse longevo naquela situação, seria quase tão grave quanto permitir que ele vivesse eternamente no pecado. A raça humana precisava de um freio.[3] O que ocasionou tamanha maldade? O contato da raça humana com anjos caídos.

A expressão “filhos de Deus”, traduzida do hebraico Bene ha-Elohim, é aplicada no Velho Testamento exclusivamente a anjos. Como por exemplo, no Livro de Jó, quando Deus lhe perguntou: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? (...) quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus (bene ha-Elohim) rejubilavam?” (Jó 38:4a,7). Os“filhos de Deus” que rejubilavam enquanto assistiam à criação da terra eram os anjos. Muitas outras passagens reforçam essa ideia.

No verso 4 de Gênesis 6 eles são chamados de “gigantes”, que é traduzido do termo hebraico Nefilim, que significa literalmente “os que caíram”. Esses anjos receberam a autorização de Deus para conviver com a raça humana, com o objetivo de ensinar-lhe todo tipo de ciência. Foi a Queda de primeiro casal que abriu espaço para a atuação desses seres angelicais. Adão e Eva optaram pelo conhecimento do bem e do mal. Em vez de confiar em Deus, preferiram dar ouvidos à serpente. O Diabo tornou-se o príncipe deste mundo, e trouxe para cá toda a sua corte. [4]

O livro de Enoque, que durante muito tempo figurou entre os livros canônicos[5], e que é citado nas Escrituras na Epístola de Judas, aborda esse contato entre a raça humana, e raça angelical. De acordo com ele, aqueles anjos “escolheram cada um uma mulher, e se aproximaram e coabitaram com elas; ensinaram-lhes a feitiçaria, os encantamentos, e as propriedades das raízes e das árvores”(7:10). Esses anjos ensinaram aos homens “o fabrico de espadas, facas, escudos, couraças” (8:1).

Por causa dessa corrupção, disse o Senhor: “Não permanecerá o meu Espírito para sempre com o homem, pois este é mortal”(Gn.6:3a).

A raça humana foi expulsa do paraíso. Perdeu a comunhão com seu Criador. Preferiu o conhecimento oculto, guardado pelos anjos guardiões, à vida eterna garantida pela comunhão com a Árvore da Vida. Ela deixou de ser um ramo da Árvore da Vida, para ser um ramo de uma árvore maligna.

A união entre homens e anjos gerou uma raça caída (Nefilim), que teria que ser destruída pelo Dilúvio, mas cujos espíritos ainda perambulariam entre os humanos, até o fim dos tempos. Esses espíritos, resultado da união entre duas raças distintas, tornaram-se os demônios.

Enoque relata que “os gigantes (Nefilins), que são o preço do comércio do espírito e da carne, serão chamados, na terra, de maus espíritos e sua morada será na terra (...) Os espíritos dos gigantes serão como as nuvens que trazem à terra os flagelos de toda espécie, a peste, a guerra, a fome, e o desgosto. Não beberão, nem comerão, invisíveis a todos os olhos, insurgir-se-ão entre os homens e as mulheres, porque receberam nos dias de destruição e massacre” (14:8a,9-10).

E quanto aos anjos que caíram? Enoque afirma que eram em número de duzentos (7:7). E o que a Bíblia diz sobre o destino deles? Judas diz que “aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas, na escuridão, para o juízo do grande dia” (Jd.6). Judas diz que, a exemplo dos moradores de Sodoma e Gomorra, esses anjos se prostituíram, indo “após outra carne” (v.7). Pedro também relata o destino desses anjos: “Pois se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo” (2 Pe.2:4).

A convivência dos homens com esses seres provocou uma revolução no campo das ciências. A raça humana deu um salto extraordinário, em um curtíssimo espaço de tempo; fato que tem sido comprovado cientificamente. É desconcertante para os cientistas céticos, admitirem não haver qualquer explicação plausível para o enorme salto tecnológico dado pela humanidade há alguns poucos milênios. Grandes descobertas arqueológicas, como os monumentos megalíticos[6] espalhados pelo mundo afora, comprovam isso. Sem falar das pirâmides, não apenas no Egito, mas espalhadas pelas Américas e pela Ásia.

Voltando ao texto de Gênesis 6, lemos que “havia naqueles dias Nefilins na terra, e também depois, quando os anjos coabitaram com as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos”. A expressão “também depois” pode ser interpretada de duas maneiras igualmente plausíveis. Pode-se entender que os Nefilins já conviviam com os humanos antes que as filhas dos homens lhes dessem filhos. E também se pode inferir que houve incursões angelicais posteriores ao Dilúvio. Isso explicaria o aparecimento de raças gigantes na Terra ainda nos dias de Moisés, até os dias de Davi. Ambas as posições podem estar certas. Embora os primeiros Nefilins que tomaram mulheres como esposas tenham sido sentenciados por Deus a serem presos no inferno, aguardando o dia do Juízo, Satanás ainda contava com a terça parte dos anjos que tomaram parte de sua rebelião. De acordo com Enoque, foram duzentos os anjos que tomaram para si mulheres. Muito maior número de anjos Satanás teria ainda a seu dispor.

A prole maldita, fruto do casamento entre os anjos e as mulheres, foi condenada a viver como espíritos malignos (demônios), a semente da serpente, que contenderia com a raça humana, aguardando para ser pisada por Aquele que seria a “semente da mulher”. Assim como pela “mulher” veio a descendência maldita dos anjos caídos, por uma mulher viria o Filho de Deus para desfazer as obras do Diabo.

É bom frisarmos que nada disso aconteceu sem a permissão de Deus. Por trás de tudo isso, havia um plano soberano, cujo objetivo seria revelar ao homem o poder da graça e do amor de Deus.
Ao sentenciar à serpente, Deus declarou: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o seu descendente; este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn.3:15). Os demônios, frutos da conjunção entre anjos caídos e mulheres, são a descendência da serpente. Cristo é o descendente da mulher, que veio para esmagar a cabeça da serpente, e destronar os seus descendentes.

Os espíritos malignos que hoje ainda se manifestam nos corpos dos homens, não são de anjos caídos, como muitos imaginam. Até porque, não há na Bíblia qualquer menção a um anjo que tenha incorporado em alguém. Os tais espíritos, que conhecemos como demônios, são, na verdade, aqueles espíritos resultado da relação entre a raça humana e a raça angelical. Eles são como parasitas, que encostam nas pessoas, para sugar-lhes as energias, e utilizar-se delas para promover seus intentos destruidores. Estão a serviço de Satanás, o Querubim rebelde.

É sensato supor que o propósito dos anjos caídos era o de poluir o sangue humano, impedindo assim que a profecia se cumprisse, e o Descendente da mulher viesse destruí-los.

Para acabar com a farra dos anjos, de seus filhos gigantes, e dos homens ímpios, Deus enviou o Dilúvio. A decisão de Deus era destruir de sobre a face da terra o homem e todos os seres vivos. Entretanto, Sua Palavra não poderia ser invalidada. E quanto ao Descendente da Mulher? E quanto Àquele que esmagaria a cabeça da serpente? A linhagem que o traria ao mundo tinha que ser preservada. Teria que ser uma linhagem que não houvesse se contaminado com os anjos caídos.[7]
Foi em Noé que Deus achou o homem através do qual a linhagem humana seria preservada. De acordo com o texto sagrado, Noé“achou graça aos olhos do Senhor”. O fato é que ele era “homem justo e perfeito em suas gerações, e andava com Deus”, enquanto que a terra inteira “estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência”, pois “todas as pessoas haviam corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gn.6:8-9,11-12). Ser “perfeito em suas gerações” equivale a ter sua genealogia intacta, sem a presença da semente maligna.

O título predileto usado por Jesus para referir-Se a Si mesmo era “Filho do Homem”. Esse título é extraído diretamente do Livro de Enoque, onde o encontramos com enorme freqüência. Ao declarar-Se Filho do Homem, Jesus estava ressaltando o fato de que Sua humanidade é pura, e Seu sangue não havia sido contaminado pelos Nefilins. Esta é a razão pela qual as Escrituras dão tamanha importância à genealogia do Messias. Embora Jesus seja 100% Deus, em Sua humanidade Ele é 100% homem. Sua humanidade é tão pura quanto a de Adão, daí Ele ser chamado de “o segundo Adão”.

Versões diferentes da Interferência Angélica na Raça Humana

Esse evento bizarro encontra eco nas lendas e mitos da cada cultura antiga do planeta. Gregos, egípcios, hindus, índios, e praticamente todos os demais povos contam acerca do envolvimento de seres humanos com seres celestiais. Flavio Josefo, o grande historiador judeu do século I, faz paralelos entre o fato bíblico e a mitologia greco-romana. O texto de Gênesis diz que os seres híbridos engendrados pelos anjos “foram valentes, os homens de renome que houve na Antiguidade” (Gn.6:4b). A mitologia não deve ser entendida como mera invenção do gênio humano. Ela surge no solo fecundo das tradições, das lendas, que nada mais são do que fatos corrompidos de verdades primitivas. É muito comum encontrarmos lendas como a de Hércules, fruto do casamento entre Zeus e uma mulher. Assim como é comum encontrarmos lendas sobre o dilúvio. Esses são pontos convergentes em todas as tradições religiosas do mundo.

Em praticamente todas as culturas antigas pode-se encontrar histórias semelhantes sobre a presença de “deuses”. Entre os egípcios, encontramos Ísis e Osíris. Entre os povos da Índia e do Tibete, encontramos lendas sobre a cidade de Shambala e os “Budas” ou “deuses” que teriam trazido ciência e sabedoria para os seus povos. A intromissão dos Nefilins entre as diversas culturas da terra explicaria, por exemplo, como a civilização Asteca, Inca e Maia adquiriu tanto conhecimento nas diversas áreas científicas, sendo capazes de produzir sofisticados calendários e mapas estelares.

Alguns templos de origem asteca foram dedicados a dois seres que localmente eram chamados de "deuses" e que teriam vivido num período estimado entre 300 a 900 d.C. De acordo com a lenda contada, estes dois "deuses" - um homem e uma mulher teriam vindo para Terra com outros deuses e começaram a ensinar os nativos como eles poderiam construir uma grande civilização. Estes “deuses” ficaram entre os nativos por um grande período de tempo, ensinando-os matemática, ciência, astronomia além de outros conhecimentos. Então, antes que os dois "deuses" retornassem à sua "casa", um outro grupo de diferentes "deuses" teriam aparecido em cena. Segundo a lenda, houve um grande conflito entre eles e os dois “deuses” presentes foram mortos. Enlutados com sua morte, os nativos sepultaram seus "deuses" mortos na principal pirâmide que eles haviam ajudado a construir. Esqueletos bizarros, com crânios bem maiores do que o normal, foram encontrados nessa pirâmide.

Lendas sobre Viracocha, divindade adorada pelos Incas, dizem que os primeiros seres que ele criou, chamados huari ruma, seriam gigantes, que vivam na época conhecida como Naupa Pacha (“o tempo dos ancestrais”). Os indígenas locais afirmam que os naupas viveram muito antes dos incas, ensinando coisas aos homens e, quando foram embora, “subiram ao céu e nunca mais voltaram”.[1]

Outro exemplo interessante é dos Sumérios. Sua astronomia era incrivelmente avançada: seus observatórios obtinham cálculos do ciclo lunar que diferiam em apenas 0,4 segundos dos cálculos atuais. Na colina de Kuyundjick, antiga Nínive, foi encontrado um cálculo, cujo resultado final, em nossa numeração, corresponde a 195.955.200.000.000. Um número de quinze casas! Enquanto os sofisticados gregos, no apogeu do seu saber, não passaram do número 10.000, considerando qualquer número a mais como sendo o "infinito". Na cidade de Nipur, 150 km ao sul de Bagdá, foi encontrada uma biblioteca sumeriana inteira, contendo cerca de 60.000 placas de barro com inscrições denominadas: cuneiformes. Lâminas de argila sumérias têm informações precisas sobre os planetas do sistema solar. O mais impressionante são os dados sobre Plutão (Planeta que só foi descoberto em 1930!). Eles sabiam o tamanho de Plutão, sua composição química e orgânica e afirmavam que Plutão era na verdade uma lua de outro planeta do Sistema Solar que se "desprendeu" e ganhou uma nova órbita (hipótese que tem sido levantada entre pesquisadores da NASA). Eles chamavam a Lua de pote de chumbo e diziam que seu núcleo era uma 'cabaça' de ferro. Dados que foram confirmados pela NASA, durante o programa Apolo. Como tal conhecimento poderia ser possível há 3.000 anos? Os Sumérios alegavam ter recebido tal conhecimento dos “deuses” que vieram do céu. Segundo eles, esses seres tinham uma expectativa de vida de 20.000 anos, período completamente incompreensível para os nossos padrões, e eram homens gigantes. Esses “deuses” misturaram-se com os humanos, gerando assim novas raças e etnias, conhecidos por eles como os "filhos dos Deuses". Será tudo isso coincidência?

Como a Igreja Primitiva interpretava Gn.6?



A igreja primitiva não tinha qualquer dificuldade em identificar os Bene ha-Elohim como anjos caídos. Entre os primeiros pais da igreja, podemos citar Justino, Atenágoras, Cipriano, Eusébio, e entre os judeus, podemos citar Josefo, o grande historiador, e Philo. Antigas fontes rabínicas, bem como os tradutores da Septuaginta, eram unânimes nesse ponto de vista. 

Ainda no século II, Justino Mártir atribuía toda maldade aos demônios, que segundo ele, eram os filhos dos anjos que caíram devido à sua cobiça pelas filhas dos homens. Veja o que ele diz em sua Segunda Apologia:

“Eles (Nefilins) subverterem a raça humana por meio de escritos mágicos e do medo que nela instilaram, por meio de punições à humanidade, instruindo os homens no uso de sacrifícios, incenso e libações das quais precisariam depois de se tornarem escravos de suas lascivas paixões. Engendraram assassinatos, guerras, adultérios e todos os tipos de dissipações e todas as espécies de pecado”.[8]

Em sua obra Legatio, escrita em torno de 170 d.C., Atenágoras apresenta os anjos que “violaram a sua natureza e a sua missão”, e ainda comenta o paralelismo entre a verdade das Escrituras, e as versões da Mitologia:

“Os que buscaram mulheres fizeram nascer os chamados gigantes. Não se surpreenda se um registro parcial sobre eles tiver também sido feito pelos poetas. A sabedoria mundana e a sabedoria profética diferem entre si como a verdade da probabilidade – uma é celestial, a outra é terrena (...) Estes anjos, então, que caíram do céu ocuparam-se com o ar e a terra e não mais conseguiram elevar-se até os reinos do céu. As almas dos gigantes são os demônios que vagueiam pelo mundo. Tanto anjos como demônios produzem movimentos [isto é, agitações, vibrações] – demônios produzem movimentos similares às naturezas que receberam, e anjos movimentos similares à luxúria pela qual foram possuídos”.[9]

Tertuliano (160-230 d.C), muito admirado nos círculos teológicos, afirmou:

“Com relação aos detalhes sobre como os anjos, pela sua própria vontade, perverteram-se e constituíram então a fonte da raça corrupta dos demônios, uma raça amaldiçoada por Deus juntamente com seus originadores e aquele que mencionamos como seu líder. O registro destes acontecimentos é encontrado na Sagrada Escritura”.[10]

Tertuliano chega a citar uma prática comum na igreja primitiva, de renunciar na cerimônia de batismo, a influência dos anjos caídos.[11]

Clemente de Alexandria (150-220) fala acerca dos anjos “que renunciaram à beleza de Deus em troca da beleza que se desvanece, caindo assim do céu para a terra”.[12] Na obra conhecida como “As Homilias de Clemente”, lemos que os anjos “modificaram-se, assumindo a natureza de homens” e compartilharam a luxúria humana.[13]

Foi Júlio Africano (200-245 d.C., contemporâneo de Orígenes) que introduziu a teoria de que os “filhos de Deus” seriam os descendentes de Sete, e as filhas dos homens seriam as descendentes de Caim. Ciro de Alexandria também repudiou a posição ortodoxa predominante entre seus contemporâneos. Jerônimo (348-420),Crisóstomo (346-407) também fizeram coro com a nova teoria. Mas foi Agostinho (354-430) quem desferiu o golpe definitivo contra a antiga crença, abraçando a teoria de que os filhos de Deus seriam, de fato, os filhos de Sete. A posição de Agostinho prevaleceu por toda a Idade Média, até os dias de hoje.

Convém salientar os motivos que levaram Agostinho a abolir a crença de que os anjos houvessem caído em luxúria com as mulheres. Durante o tempo de seu ministério, Agostinho teve de enfrentar um grave problema causado pela grande popularidade dos anjos: As pessoas estavam prestando-lhes culto, oferecendo-lhes sacrifícios e orações. A situação já estava fora de controle. Por essa razão, Agostinho procurou reduzir os anjos à forma mais abstrata possível, pregando publicamente:

«Legítimos habitantes das moradas celestes, os espíritos imortais, felizes pela posse do Criador, eternos por sua eternidade, fortes de sua verdade e santos por sua graça, tocados de compulsivo amor por nós, infelizes e mortais, e desejosos de partilhar conosco sua imortalidade e beatitude, não, querem que sacrifiquemos a eles, mas Àquele que sabem ser, como nós, o sacrifício [ou seja, Jesus Cristo]. Porque somos com eles uma só Cidade de Deus.»; «Quanto aos milagres, sejam quais forem, operados pelos anjos ou por qualquer outro modo, se se destinam a glorificar o culto da religião do verdadeiro Deus, princípio único da vida bem aventurada, devem ser atribuídos aos espíritos que nos amam com verdadeira, é preciso acreditar ser o próprio Deus quem neles e por eles opera.»; «... Aquele cuja palavra é espírito, inteligência, eternidade, palavra sem começo e sem fim, palavra ouvida em toda a pureza, não pelos ouvidos do corpo, mas do espírito, por intermédio de seus ministros, enviados que gozam de sua verdade imutável, no seio de eterna beatitude, palavra que lhes comunica de maneira inefável as ordens que devem transmitir à ordem aparente e sensível, ordens que executam sem demora e facilmente.»; «Assim, mostram-nos os anjos fiéis com que sincero amor nos amam; com efeito, não é à sua própria dominação que querem submeter-nos, mas ao poderio daquele que são felizes de contemplar, soberana beatitude a que desejam cheguemos também e de que não se apartam.»[2]

Eis as razões sinceras, porém, equivocadas, que levaram o grande teólogo do IV Século a aderir à teoria da descendência setita.

Vamos analisar cuidadosamente as premissas desta teoria.

De acordo com essa posição, os filhos de Deus são identificados como os filhos de Sete, pelo fato de esses constituírem a boa linhagem de onde viria o Messias. Já a descendência de Caim não tinha temor de Deus, e era conhecida por sua impiedade. Se os filhos de Deus eram os filhos de Sete, e as filhas dos homens eram as filhas de Caim, como a união entre essas duas linhagens pôde produzir gigantes? Não conheço qualquer caso de casais onde o marido é crente e a esposa incrédula que tenha produzido filhos gigantes, ou mesmo, uma descendência maligna. Pelo contrário. O apóstolo Paulo diz que “o marido incrédulo é santificado pela mulher, e a mulher incrédula é santificada pelo marido crente. Doutra sorte os vossos filhos seriam impuros, mas agora são santos” (1 Co.7:14).

Quanto à alegação de que a linhagem de Sete era uma “linhagem bondosa” carece de qualquer respaldo bíblico. Se fosse “bondosa” não teria se envolvido com uma “linhagem perversa”, como a de Caim. Nunca houve, nem haverá entre os humanos uma linhagem bondosa. O que houve foi uma “linhagem messiânica”, pela qual veio o Messias. Entretanto, essa “linhagem” é bem “maldosa”, se quisermos ser honesto com o relato bíblico. Não é à toa que encontramos a árvore genealógica de Jesus em Mateus e em Lucas. Em Sua linhagem encontramos de tudo. Desde Judá, um fornicário (Gn.38), passando por Perez, filho ilegítimo, Raabe, prostituta, Bateseba, adúltera (Mt.1:1-6), e algumas outras figuras, no mínimo, controversas.

Embora tenha vindo de uma linhagem de pecadores, Jesus nasceu sem pecado, pois Seu DNA foi produzido pelo Espírito Santo, no ventre de uma virgem chamada Maria. De Maria, Deus aproveitou o cromossomo X, puro, sem a contaminação dos genes angélicos. Do Espírito Santo veio o cromossomo Y, que gerou o corpo no qual Deus habitou entre nós.

O principal argumento contra o envolvimento sexual entre os anjos e as mulheres é tirado de uma passagem neo-testamentária, em que Jesus afirma que no céu todos seremos como os anjos, que não se casam, nem se dão em casamento. Concluiu-se, daí, que os anjos são seres assexuados, e que, portanto, não poderiam ter coabitado com as mulheres, nem tampouco lhe dado filhos.

Mas basta um exame mais acurado do texto (Mt.22:30), e veremos o que realmente Jesus quis dizer. Ele disse: “Na ressurreição nem se casam nem são dados em casamento; serão os anjos de Deus no céu”. Repare o detalhe “no céu”. De fato, no céu, os anjos são seres espirituais, que não podem se casar, ou manter qualquer tipo de atividade sexual. Entretanto, somos informados por Judas que esses anjos “deixaram a sua própria habitação” (Jd.6). Ao descer à terra, eles assumiram corpos físicos, bem semelhantes aos dos seres humanos.

A bem da verdade, não existe um anjo nas Escrituras que seja assexuado. De Gênesis a Apocalipse, os anjos se apresentam como “varões”[14]. De acordo com os relatos bíblicos, os anjos aparecem, na maioria das vezes, como homens de carne e osso, podendo ser tocados por mãos humanas; comem o mesmo alimento dos homens, e são capazes de combate físico direto, como no caso ocorrido com Jacó. O escritor de Hebreus chega a afirmar que muitos, sem se darem conta, “hospedaram anjos” (Hb.12:2).

Em Gênesis 18, encontramos três anjos enviados por Deus a Abraão. Eles, não apenas foram recebidos com honra pelo patriarca, como também participaram de um verdadeiro banquete. Bezerro assado, pão, coalhada, leite, foram algumas das iguarias que “eles comeram” (Gn.18:8).

Alguém poderá alegar: Entre comer e ter relações sexuais há uma grande distância.

De fato, os anjos são espíritos, mas que possuem também uma estrutura “carnal”. Ainda que seja “outra carne”, conforme lemos em Judas 7. Neste texto, Judas relata o que aconteceu em “Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas que, havendo-se prostituído como aqueles (anjos), e ido após outra carne (a dos anjos), foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno” (Jd.7).

Que cidades circunvizinhas eram essas? As que Josué, mais tarde, teve que destruir. Somos levados a crer que houve outras incursões de anjos caídos no mundo após o Dilúvio. Segundo Enoque, foram duzentos o números dos anjos que tiveram relações com as mulheres. Esses foram aprisionados, e aguardam o dia do Juízo. Entretanto, Satanás seduziu a terça parte das hostes celestiais. Alguns desses anjos desceram à Terra para dar continuidade à sua prole maldita, e ao seu intento de impedir a conclusão do plano de Deus.

Enoque parece fazer alusão a isso no capítulo 85, versos 2 e 4 do seu Livro:

“E ví uma estrela caiu do céu (...) Novamente eu vi em minha visão, e examinei o céu; então vi muitas estrelas descendo, e projetando-se do céu para onde a primeira estrela estava.”



Na sequência do texto, Enoque diz, por meio de uma parábola, que tais “estrelas”, que vieram em uma segunda incursão, foram as responsáveis pela contaminação de algumas civilizações que habitavam a Terra., chamadas ali de elefantes, camelos e asnos. Tais povos teriam sido engendrados por essas criaturas celestiais.

Uma outra passagem parece lançar luz sobre esse fato é Deuteronômio 32:8. Ali, no cântico de Moisés, lemos:

“Quando o Altíssimo repartia as nações, quando espalhava os filhos de Adão ele fixou fronteiras para os povos, conforme o número dos filhos de Deus”[15]

Outra passagem que corrobora com essa está em Deuteronômio 4:19, onde Moisés adverte o povo de Israel: “E não levantes os teus olhos aos céus e vejas o sol, e a lua, e as estrelas, todo o exército dos céus, e sejas impelido a que te inclines perante eles, e sirvas àqueles que o Senhor, teu Deus, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus”.

Fica claro que o próprio Deus distribui as nações, submetendo-as aos Anjos Guardiões (Também chamados de Sentinelas ou Vigilantes). Afinal, Adão havia entregado o mundo a Satanás. Nada mais natural que as nações fossem repartidas entre seus anjos aliados. E isso foi feito com o consentimento de Deus. Por isso, cada nação servia a seus próprios deuses. Baal, Asterote, Dagon e outros ídolos, nada mais eram que seres angelicais, aos quais as nações foram submetidas. O verso 9, porém, diz: “Mas a parte do Senhor foi o seu povo, o lote da sua herança foi Jacó”.

Através de Israel, Deus preservaria uma linhagem santa, que não se macularia com a semente dos Nefilins, para trazer ao mundo o Redentor da Humanidade. Era por isso que os filhos de Israel não podiam se misturar com os habitantes daquelas nações. Todas elas estavam contaminadas pela semente maligna.

É provável que aqueles povos já estivessem familiarizados com a visita dos “deuses”. Foi por isso que os moradores de Sodoma quiseram agarrar à força os anjos que Deus havia enviado a Ló, para tirá-lo de lá, juntamente com a sua família.[16] Eles só não podiam supor que aqueles anjos não eram Nefilins, mas anjos enviados por Deus para trazer juízo àquelas cidades.

Até entre os gregos e romanos contemporâneos dos apóstolos, havia a crença de que os deuses desciam entre os homens, na semelhança humana. Em Atos encontramos a curiosa narrativa de um episódio em que as multidões acreditaram que Paulo e Barnabé eram Júpiter e Mercúrio, deuses da mitologia romana que os estavam visitando. As multidões clamavam: “Fizeram-se os deuses semelhantes aos homens, e desceram até nós” (At.14:11b). Chegaram a ponto de trazerem touros para serem sacrificados a eles. Os apóstolos tiveram que reagir energicamente para dissuadi-los: “Porém, ouvindo isto os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgaram as suas vestes, e saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há, o qual nos tempos passados deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos. Contudo, não deixou de dar testemunho de si mesmo” (vv.14-17a). Repare que eles chamam os deuses das nações de “vaidade”.

Devemos atentar mais uma vez para o que diz Gênesis 6. O texto diz que havia Nefilins naqueles dias, e também depois deles. Quando Moisés escreveu este relato, a Terra estava infestada de gigantes, uma raça híbrida, fruto da mistura entre anjos e humanos.

Entre as tribos que habitavam Canaã, a Terra Prometida, estavam os Refains, Emins, Horins, Zanzumins, que eram gigantes. O reino de Ogue, rei de Basã, era uma verdadeira “terra dos gigantes”. Mais adiante encontramos Arba, Anaque e seus sete filhos (Anaquins), que também eram gigantes. Sem nos esquecer de Golias e seus quatro irmãos.

Quando Deus revelou a Abraão que a Terra de Canaã lhe seria dada por herança, Satanás teve cerca de 400 anos para plantar ali a semente nefasta dos Nefilins.

Isso nos remete à parábola do joio e do trigo. Jesus conta que “o reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo. Mas enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se” (Mt.13:24-25). Jesus explica que “o campo é o mundo, e a boa semente são os filhos do reino. O joio são os filhos do maligno, e o inimigo que o semeou é o diabo” (v.38).

O destino do joio já está traçado: “Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa pecado, e todos os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo, onde haverá pranto e ranger de dentes” (vv.40-42). Repare nisso: Deus eliminará de Seu reino “tudo o que causa pecado” e “todos os que cometem iniquidade”. Creio que “tudo o que causa pecado” seja uma alusão aos demônios, aos Nefilins, cujo objetivo é instigar os homens a pecar. Entretanto, os homens não ficarão impunes. Todos os que cometem iniquidade serão exterminados para sempre.

Na mesma passagem em que Isaías relata a queda do Querubim rebelde, lemos a sentença lavrada por Deus contra a descendência dos Nefilins: “A descendência dos malignos não será nomeada para sempre. Preparai a matança para os filhos por causa dos pais, para que não se levantem e possuam a terra, e encham o mundo de cidades” (Is.14:20b-21). Aquela prole amaldiçoada tinha que ser exterminada, para que não trouxesse males ainda maiores à humanidade.

Ao enviar seus doze espias à terra de Canaã, Moisés ordenou que eles sondassem a população que havia naquela região. Ao retornarem de sua missão, os espias relataram que viram gigantes na terra (o termo usado em hebraico é Nefilim).

Quando, finalmente, Israel estava prestes a entrar em Canaã, depois de perambular pelo deserto por cerca de 40 anos, Josué foi instruído por Deus a destruir completamente os morados daquelas cidades, não poupando nem mesmo mulheres e crianças.

Satanás semeou ali o seu joio, para impedir que a semente de Abraão, de onde viria o Messias, se estendesse por toda aquela região.

O livro de Números relata a presença dos Nefilins em Canaã, muito depois do Dilúvio. Depois de vagar por 40 anos no deserto, os filhos de Israel deram uma parada em Cades, que era uma espécie de Oásis no norte do Sinai. Foi dali que Moisés enviou os doze espiais à Terra Prometida. O texto diz:

“Quando Moisés os enviou para explorar a terra de Canaã, disse-lhes: Subi ao Neguebe, e escalai as montanhas. Vede como é a terra, e o povo que nela habita, se é forte ou fraco, se são poucos ou muitos. Como é a terra em que habita? É boa ou má? Como são as cidades em que vivem? São abertas ou fortificadas? Como é o solo? É fértil ou estéril? Tem matas ou não? Esforçai-vos, e trazei do produto da terra...” Números 13:17-20

Depois de 40 dias, os espias retornaram com o seguinte relatório:

“Fomos à terra a que nos enviaste. Ela verdadeiramente mana leite e mel! Este é o seu fruto. Mas o povo que habita nessa terra é poderoso, e as cidades fortificadas e muito grandes. Também vimos ali os filhos de Enaque (gigantes).”Números 13:27-28

Quando o povo já demonstrava desânimo com o relatório dos espiais, Calebe tomou a palavra e disse: “Subamos animosamente, e possuamo-la em herança, pois certamente prevaleceremos contra ela. Porém os homens que com ele subiram disseram: Não poderemos atacar aquele povo; é mais forte do que nós. E diante dos filhos de Israel infamaram a terra que tinham explorado, dizendo: A terra, pelo meio do qual passamos a espiar, é terra que devora os seus moradores. Todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes (pois os descendentes de Enoque são de raça gigante), e éramos aos nossos próprios olhos como gafanhotos, e assim também lhes parecíamos” (Nm.13:30-33).

Por causa do receio dos filhos de Israel em enfrentar os Nefilins, toda aquela geração foi reprovada por Deus, ficando prostrado no deserto, ao longo de quarenta anos de peregrinação. Daquela geração que saíra do Egito, somente dois, Josué e Calebe, adentraram a terra prometida.

Quarenta e cinco anos depois deste episódio, quando Calebe recebeu de Josué a sua parte da herança, teve que enfrentar os Enaquins (Nefilins), e expulsá-los do monte Hebrom (Js.14:12-15).

A ordem de Deus não poderia ser atenuada. Sua instrução foi clara:

“Ouve, ó Israel! Hoje passarás o Jordão para entrares a possuir nações maiores e mais fortes do que tu, cidades grandes e muradas até o céu. O povo é grande e alto, filhos dos Enaquins, que tu conheces e de quem já ouvistes dizer: Quem poderá enfrentar os filhos de Enaque? Sabe, porém, hoje, que é o Senhor teu Deus que passa adiante de ti, como um fogo consumidor. Ele os destruirá e os derrubará diante de ti, e tu cedo os expulsarás e os desfarás, como o Senhor te prometeu. Quando o Senhor teu Deus os lançar fora de diante de ti, não digas em teu coração: Por causa da minha justiça é que o Senhor me trouxe a esta terra para a possuir. Antes, é pela impiedade destas nações que o Senhor as expulsa de diante de ti (...) e para confirmar a palavra que o Senhor teu Deus jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.” Deuteronômio 9:1-4,5b

Em Deuteronômio, os gigantes Enaquins (descendentes dos Nefilins) também são conhecidos como Rafains (Deut.2:11). Entre os mais conhecidos Rafains está o rei Ogue, de Basã. De acordo com Deuteronômio, a enorme cama de ferro[17] de Ogue ainda podia ser vista em Rabá (Deut.3:11).

Segundo a Bíblia, tanto os Refains quanto os Enaquins foram exterminados por Moisés (Js.12:4-6), Josué (Js.11:21-22) e Calebe (Js.15:14; Jz.1:20), ainda que restassem alguns desgarrados, que acabaram mortos por Davi e seus homens (2 Sm.21:18-22; 1 Cro.20:4-8).

Embora os gigantes tenham sido erradicados da Terra, fomos comissionados por Cristo a expulsar os demônios, na autoridade do Nome de Jesus. Portanto, a luta continua. Mas a vitória é garantida “pelo sangue do Cordeiro” e pela palavra de nosso testemunho (Ap.12:11).

Paulo fala que nossa luta não é contra carne nem o sangue, mas contra os principados, as potestades, os poderes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais da maldade nas regiões celestes. De Gênesis 6 até os dias de Davi, o povo escolhido por Deus teve que lutar contra inimigos de carne e sangue. Aqueles mesmos inimigos estão em guerra contra o povo de Deus hoje. A diferença é que já não são carne e sangue, mas seres espirituais. Quando Paulo fala de “poderes deste mundo tenebroso”, está se referindo aos demônios, que trabalham por trás das estruturas injustas que buscam cativar os seres humanos. Já “os principados, as potestades, e as forças espirituais da maldade nas regiões celestes” dizem respeito àqueles anjos que se rebelaram contra Deus, e hoje atuam sob a orientação do “príncipe das potestades aéreas”.

[1] Livro dos Jubileus 4:15[2] Um exemplo de longevidade é Matusalém que viveu 969 anos. O próprio Adão viveu 930 anos![3] Mais tarde Deus estabeleceu que o homem deveria viver em média 70 anos.[4] A terça parte dos anjos, que participaram da rebelião promovida pelo Querubim Helel ben-shahar (Lúcifer).[5] De acordo com Luther Link, «até o século IV, Enoque fazia parte do ainda mal definido cânone»; «Familiar para os judeus e primeiros cristãos, Enoque foi um texto sagrado autêntico para Judas, Clemente, Barnabé, Tertuliano e outros primeiros pais» (embora Jerônimo e Orígenes fizessem ressalvas).[6] Monumento megalíticos – Monumentos feitos com grandes pedras, que pesam toneladas. Ainda é um mistério para a ciência, a maneira como tais pedras foram transportadas. Um exemplo disso são as famosas estátuas da Ilha de Páscoa, que fica a milhares de quilômetros do continente, no meio do Oceano Pacífico.[7] É por ser oriundo de uma linhagem pura, que não fora poluída pela semente dos Nefilins, que Jesus é chamado “Filho do Homem”.[8] Mártir, Justino, “The Second Apology”, Writings of Saint Justin Martyr, traduzido por Thomas B. Falls (N.York: New York Christian Heritage, 1948), p.124.[9] Atenágoras, “Legatio”, ed. e trad. William R. Schoedel, Oxford Early Christian Texts: Legatio and De Resurreictione(Oxford: Clarendon Press, 1972(, p.61.[10]Tertuliano, “Apology”, Apologetical Works, Fathers of the Church, 69 vols. Até esta data (Washington, D.C.: Catholic University os America PRESS, 1947-), 10 (1950): 69.[11] Tertuliano, “The Apparel of Women”, Disciplinary, Moral, anda Ascetical Works, Fathers of the Church, 40:118-20.[12] Clemente, “The Instrutor”, Ante-Nicene Fathers, 2:274.[13] The Clementine Homilies, Ante-Nicene Fathers, 8:272-73[14] Ver Apocalipse 21:17; Gálatas 4:14; Atos 1:10; Juízes 13: 3-21; Daniel 9; Gênesis 19:10-15, Hebreus 13[15] Há traduções que trazem “filhos de Israel” em vez de “filhos de Deus” (bene ha-Elohim). Está comprovado através da descoberta de um texto fragmentário entre os Manuscritos do Mar Morto que continha o Deuteronômio 32:8. composto em escrita do final do período herodiano (fim do século I a.C. ao início do século 1 d.C.), que as últimas palavras do versículo são claramente bene ha-Elohim (filhos de Deus = anjos). Esse fragmento é hoje o mais antigo texto hebraico do Deuteronômio 32:8 conhecido. Essa redação foi preservada na Septuaginta Grega, que traduziu como “aggelon theou” (anjos de Deus).[16] Convém salientar que esses anjos também comeram de um banquete preparado por Ló. Ver Gn.19:3[17] A cama de Ogue tinha cerca de 4m de cumprimento e 2m de largura.[1] Waisbard, Simone, Tiahuanaco, Ed. Hemus[2] Agostinho, Santo, De Civitate Dei, X

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ORAÇÃO DE JABEZ - INTERPRETAÇÃO FIDEDIGNA CONTRA A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE ED. RENÉ KIVITZ

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O ESTADO BRASILEIRO É LAICO?

É difícil responder à pergunta em termos de "sim" ou "não". A laicidade não existia no tempo do Império, já foi maior no início do período republicano, pelo menos na educação pública, e é hoje maior do que naquela época na legislação sobre a família. É como a democracia. O Estado brasileiro é hoje mais democrático do que foi em qualquer momento do passado, mas há muito, muito mesmo a fazer para ampliar a democracia. Já houve recuos, mas os avanços prevalecem.

Em suma: o Estado brasileiro não é totalmente laico, mas passa por um processo de laicização.

Na sua formação, o Estado brasileiro nada tinha de laico. A Constituição do Império (1824) foi promulgada por Pedro I "em nome da Santíssima Trindade"O catolicismo era religião oficial e dominante. As outras religiões, quando toleradas, eram proibidas de promoverem cultos públicos, apenas reuniões em lugares fechados, sem a forma exterior de templo. As práticas religiosas de origem africana eram proibidas, consideradas nada mais do que um caso de polícia, como até há pouco tempo. O clero católico recebia salários do governo, como se fosse formado de funcionários públicos. O Código Penal proibia a divulgação de doutrinas contrárias às "verdades fundamentais da existência de Deus e da imortalidade da alma". Os professores das instituições públicas eram obrigados a jurarem fidelidade à religião oficial, que fazia parte do currículo das escolas públicas primárias e secundárias. Só os filhos de casamentos realizados na Igreja Católica eram legítimos, todos os outros eram "filhos naturais". Nos cemitérios públicos, só os católicos podiam ser enterrados. Os outros tinham de se fingir católicos ou procurarem cemitérios particulares, como o "dos ingleses" (evangélicos), no Rio de Janeiro.

A situação de hoje é bem diferente daquela, mas ainda está longe de caracterizar um Estado laico. As sociedades religiosas não pagam impostos (renda, IPTU, ISS, etc) e recebem subsídios financeiros para suas instituições de ensino e assistência social. O ensino religioso faz parte do currículo das escolas públicas, que privilegia o Cristianismo e discrimina outras religiões, assim como discrimina todos os não crentes. Em alguns estados, os professores de ensino religioso são funcionários públicos e recebem salários, configurando apoio financeiro do Estado a sociedades religiosas, que, aliás, são as credenciadoras do magistério dessa disciplina. Certas sociedades religiosas exercem pressão sobre o Congresso Nacional, dificultando a promulgação de leis no que respeita à pesquisa científica, aos direitos sexuais e reprodutivos. A chantagem religiosa não é incomum nessa área, como a ameaça de excomunhão. Há símbolos religiosos nas repartições públicas, inclusive nos tribunais.

A expressão Estado laico não consta da constituição de 1988, mas parte de seu conteúdo pode ser encontrado nela: entre as interdições à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, está a de "Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-las, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público."
Assim formulado, o texto constitucional permite associações entre o Estado e instituições religiosas que, se não interdita consciência e crença, privilegia uns credos em detrimento de outros, e, mais ainda, privilegia os crentes diante dos não crentes em matéria religiosa.

O Estado brasileiro tem tratados com o Vaticano, ente estatal da Igreja Católica, em matérias como a capelania militar, além de concordatas implícitas, como a que mantém o laudêmio. Este é um resquício do direito medieval, que persiste até hoje no Brasil. Ele consiste numa taxa que o proprietário de um imóvel tem de pagar anualmente (foro). Além disso, cada vez que o imóvel sujeito ao laudêmio é vendido, tem-se de pagar uma taxa calculada à base de 2,5% a 5,5% do valor da transação - chega a ser maior do que o imposto de transmissão devido à Prefeitura Municipal. Além da família imperial, dioceses da Igreja Católica e irmandades religiosas beneficiam-se do laudêmio nas áreas centrais das cidades mais antigas do país. Se as Igrejas Evangélicas não recebem recursos do laudêmio, beneficiam-se de outros privilégios, como as concessões de emissoras de rádio e televisão, além de acesso a recursos públicos para atividades assistenciais e educacionais. O art. 150 da Constituição proíbe a criação de impostos federais, estaduais e municipais sobre "templos de qualquer culto".

Durante a preparação da visita do papa Bento XVI, em maio de 2007, o Vaticano pressionou o governo brasileiro a assinar um pacto para consolidar os privilégios da Igreja Católica, assim como para estabelecer outros, como o livre acesso às terras indígenas, para ação religiosa. Naquela ocasião, denúncias de entidades laicas e matérias na imprensa, de que um acordo secreto estava sendo elaborado, frustraram a iniciativa, que, aliás, recebeu a rejeição do Presidente da República, que afirmou ser "o Brasil um Estado laico". No entanto, os entendimentos continuaram, secretamente, e culminaram na assinatura da Concordata, em Roma, em novembro de 2008. O texto encontra-se no Congresso Nacional para ser homologado ou rejeitado.

Nesse processo de construção do Estado laico, há avanços e recuos. Aqui vão dois exemplos. Primeiro, dois exemplos de avanço seguido de recuo. A Constituição Republicana de 1891 determinava que fosse laico o ensino ministrado nas escolas públicas, mas a aliança do Governo Vargas com a Igreja Católica fez com que o ensino religioso voltasse às escolas públicas, mediante decreto, em 1931, e por determinação constitucional, em 1934. Desde então, todas as constituições prevêem o ensino religioso nas escolas públicas, um retrocesso. Vamos a outro. As duas Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1961 e 1996) foram promulgadas com uma cláusula que proibia o uso de recursos públicos para o ensino religioso nas escolas públicas - um avanço na direção da laicidade do Estado. Mas, essa cláusula foi retirada das duas leis, pelo mesmo Congresso que as promulgara, por causa da pressão da Igreja Católica - outro recuo na laicidade. Agora, um exemplo de avanço da laicidade do Estado, este bem consolidado. Apesar da longa e sistemática oposição do clero da Igreja Católica contra a possibilidade legal de dissolução da sociedade conjugal, o divórcio foi instituído, por lei do Congresso Nacional, em 1977. Neste caso, a moral coletiva foi retirada da tutela religiosa, portanto, houve um avanço no processo de laicização do Estado que refletiu a secularização da Sociedade.

fonte: Observatório da Laicidade na Educação - Internet

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

DE GRAÇA DAI O QUE DE GRAÇA RECEBESTES... É ASSIM MESMO?

Medita comigo aê

"Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os 
mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de
 graça dai.

Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos
 cintos, Nem alforges para o caminho, nem duas túnicas, 
nem alparcas, nem bordões; porque digno é o operário do
 seu alimento."
Mateus 10:8-10

"Digno é o operário do seu alimento" (sustento,
 subsistência... sem sobejar)... Deveria o operário enriquecer
 as custas do evangelho de Jesus?

Em todos os momentos, Paulo nosso exemplo maior depois
 de Jesus, falou da importância de trabalhar na obra e NÃO
 ser pesado à Igreja de Cristo. II Co 11.9; II Co 12.3; II Co 
12.14. Ele mesmo Paulo... fazia a obra de Deus e tinha sua 
profissão (Atos 18.3)

Temos que ter muito cuidado ao entrar nessa questão e 
assumir a pregação do evangelho de Jesus como ofício... 
como profissão... o que não é.

O que é ANUNCIAR O EVANGELHO:

1 - Uma honra e uma bênção pra quem o faz;

2 - Uma obrigação vinda do interior daquele que assumiu
 um compromisso de servir a Jesus;
3 - E uma ordem do Mestre (Mc 16.15 e At 1.8).

O QUE NÃO É ANUNCIAR O EVANGELHO:

1 - UMA PROFISSÃO
2 - UMA ATIVIDADE REMUNERADA COM FINS 
LUCRATIVOS E MEIO DE ENRIQUECIMENTO.

E a qualquer autoridade eclesiástica que se atrever a refutar
 minha reflexão me chamando de aventureiro da fé ou coisa 
semelhante eu digo que os que incentivam a pratica de
 ganhar a vida as custas da pregação do Evangelho de 
Jesus, seja pregando ou cantando, terão um encontro com 
o Eterno NAQUELE GRANDE DIA e Ele se responsabilizará 
por julgá-los por suas obras... essa é minha firme 
esperança.

ÓTIMO FINAL DE SEMANA A TODOS.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A VIDA PASSA


No início da tarde desta quarta feira - 13 de agosto de 2014, o Brasil foi surpreendido com a notícia, 

 em rede nacional, dando conta da morte do senhor Eduardo Campos, terceiro colocado na campanha 

para a presidência do Brasil. Independente de cores e bandeiras político-partidárias, o fato concreto é 

que um homem, tomado por uma agenda lotada de compromissos e planos teve a vida ceifada ainda

jovem.

Este episódio me levou a refletir no que escreveu Tiago, no capítulo 4.13-15, e dentro do texto, 

destaquei quatro verbos que envolvem algumas ações a serem desenvolvidas após um planejamento: 

“13 Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um 

ano, 

e negociaremos, e teremos lucros. 14 Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? 

Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. 15 Em vez disso, devíeis dizer: 

Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.”.

Neste texto, o principal ensinamento de Tiago é a brevidade da vida e o quanto os projetos

e planos humanos são falíveis. Note que ele faz uma afirmação, seguida de uma pergunta.

Sua afirmação: “Vós não sabeis o que sucederá amanhã”, ou seja, nossa vida não nos

pertence, e todas as coisas que pretendemos fazer ou empreender devem estar sujeitas ao

que Deus tem para cada um.

Sua pergunta: “Que é a vossa vida?”. Com esta pergunta, ele deixa claro que nossa vida

segue o princípio da finitude, ou seja, ela é breve e passará, mais cedo ou mais tarde. Para

ilustrar o que está querendo ensinar, Tiago arremata com uma analogia: “Sois apenas como

neblina que aparece e logo se dissipa.”.

Minha vida passa, sua vida passará também, desta verdade ninguém pode jamais fugir. Para

que não sejamos surpreendidos num momento como este, é de grande importância estar

preparado.

Jesus certa feita ensinou sobre a necessidade de ter a vida em ordem para quando Ele chamar.

“Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produzira com

abundância; e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os

meus frutos. Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores,

e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens em

depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus lhe

disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.” Lucas 12.16-21.

Pr. Genilson Vaz